quarta-feira, 7 de julho de 2010

Naquela rua.


Foi naquela rua que a gente se perdeu. Perdeu não no sentido próprio, visto que eu tinha o meu caminho e você o teu. Cada um seguiu uma direção. Volta pra casa, volta ao mundo.
Então me pergunto e se eu tivesse pedido que ficasse? Tu terias ficado? E se me convidasse pra partir contigo, eu iria? Talvez não. Mas me arrependeria como me arrependo de naquele dia ter descido aquelas escadas sem dizer tudo o que queria.
E agora me pergunto como será teu caminho. Cheio de sombras frondosas das árvores que enfeitam as avenidas de tua cidade? Ou cheio de sombras e pesares de tudo que passou.
Talvez só eu sinta esse aperto, essa angustia. Talvez porque eu goste disso. Sempre tive uma queda pela depressão e melancolia.
Essa serenidade que você transparece me angustia. Você nunca se expõe? Ou sempre foi claro, nítido e eu que queria mais do que via?
Pergunto-me agora das tuas companhias. Elas te alegram? Desejo que sim. Desejo no meu íntimo que tudo o que eu planejei pra gente, você realize com quem quer que seja. As conversas, os passeios, os filmes, as decepções. Porque das decepções é que surgem as cumplicidades.
Não apaguei aquela tua mensagem, deixo que todo dia ela me lembre de tua existência. Não posso dar margem ao esquecimento. Alimento-me de tua lembrança.
O olho agora já arde. Não sei se de ler essas palavras ou do que virá. E virão lágrimas. Então fecho os olhos. E volto àquela rua…

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